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Variantes do coronavírus: quem são e como se comportam

Variantes do coronavírus: quem são e como se comportam

Apesar de terem mutações diferentes, elas guardam semelhanças, como maior capacidade de transmissão da Covid-19. Por enquanto, as vacinas funcionam.

Toda vez que um vírus faz suas cópias nas células humanas, está sujeito a erros que levam a mutações no código genético. No caso do coronavírus, essas mudanças estão sendo acompanhadas praticamente em tempo real. Quando um grupo de descendentes (ou uma linhagem, em termos técnicos) do Sars-CoV-2 reúne mutações distintas em comum, passa a ser chamado de variante.

É natural que isso aconteça, mas as notícias de novas variantes preocupam, deixando dúvidas sobre seu real impacto no curso da pandemia de Covid-19. A mais recente é a Delta, detectada pela primeira vez na Índia, mas já disseminada em outros países, incluindo o Brasil. Para ter ideia, ela foi responsável por um aumento de casos no Reino Unido.

Antes de entrar em detalhes sobre as principais variantes, vale esclarecer que a Organização Mundial de Saúde (OMS) mudou a nomenclatura para facilitar a identificação e reduzir estigmas geográficos. Agora elas se chamam assim:

- Variante Alfa: a antiga B.1.1.7, identificada no Reino Unido.

- Variante Beta: a antiga B.1.351, identificada na África do Sul.

- Variante Gama: a antiga P.1, identificada no Brasil.

- Variante Delta: a antiga B.1.617.2, identificada na Índia.

A ideia é seguir o alfabeto grego conforme novas cepas sejam identificadas. Essas que destacamos são as chamadas variantes de preocupação (VOCs, na sigla para o termo em inglês variants of concern), assim classificadas pela OMS porque há evidências de que são mais transmissíveis, podem escapar da imunidade adquirida (via vacina ou infecção natural) e/ou provocar versões mais graves da Covid-19.

- Alfa (antiga B.1.1.7)

Quem é: A primeira variante de preocupação, anteriormente chamada de B.1.1.7. Surgiu no Reino Unido em setembro de 2020.

Mutações: São 22 ao todo, entre as que alteram ou não a estrutura do vírus. As principais estão na espícula, a proteína que recobre o vírus. Uma das mais famosas é a mutação N501Y, que intensifica a ligação entre o vírus e as células humanas.

Comportamento: Transmissibilidade entre 30 e 50% maior do que as linhagens anteriores. Alguns trabalhos apontam para possível aumento no risco de hospitalização e maior mortalidade, mas isso ainda não está confirmado.

Resposta às vacinas: Vacinas funcionam normalmente contra ela. Isso é evidenciado por estudos de neutralização de anticorpos e, principalmente, por meio da observação do que houve nos países onde ela se tornou predominante. Os casos seguem caindo com o avanço da imunização a despeito de sua presença.

Situação epidemiológica: Ela foi a responsável pela segunda onda da pandemia que atacou os países do Reino Unido e boa parte da Europa no início do ano, até atravessar o Atlântico e virar a maior responsável por novos casos nos Estados Unidos. Chegou ao Brasil, mas encontrou aqui uma concorrente e tanto, a variante Gama. Chegaremos lá.

- Beta (antiga B.1.351)

Quem é: A variante identificada em dezembro de 2020 na África do Sul.

Mutações: Têm alterações em comum com a Alfa, com destaque para a N501Y. Ainda carrega outras duas, na ponta da espícula, que chamam atenção: K417N, com o mesmo efeito de estimular a ligação nas células humanas, e E484K, que poderia ajudar o vírus a escapar dos anticorpos.

Comportamento: Mais transmissível, mas não tanto quanto a Alfa. É investigada por um aumento de mortalidade em indivíduos já hospitalizados, fato ainda não confirmado. A principal preocupação em relação a ela é o escape da resposta imune, que pode elevar a possibilidade de reinfecção e prejudicar a ação das vacinas.

- Gama (a famosa P.1)

Quem é: Trata-se da variante descoberta no fim do ano passado em japoneses que voltavam do Amazonas. Mutações: É muito parecida com a Beta, carregando as mesmas mutações principais na espícula do vírus.

Comportamento: Mais transmissível, tanto que devastou o país entre março e abril e ainda está fazendo estragos. Estudos apontam uma taxa de ataque (quantas pessoas um indivíduo doente infecta) semelhante à da variante Alfa, entre 1,6 e 1,4, ante 0,8 do Sars-CoV-2 “original”. Pode escapar dos anticorpos adquiridos em contatos anteriores com outras linhagens do vírus. A redução da ação deles é considerada moderada, mas já abre caminho para a reinfecção.

Agora, a questão da severidade é um mistério. Dados até apontam que ela pode, sim, ser mais letal e aumentar o risco de internação, mas não dá para saber se é culpa da variante ou de outros fatores.

- Delta (anteriormente B.1.617.2)

Quem é: Detectada em outubro de 2020 na Índia, foi rotulada como variante de preocupação recentemente, em maio.

Mutações: Mais de uma dúzia, mas duas estão no centro das atenções. A E484Q, alteração semelhante à notada nas variantes Beta e Gama, que poderia ajudar o vírus a escapar dos anticorpos; e a L452R, também ligada à resposta imune.

Comportamento: Parece ser a mais contagiosa até agora. Estima-se que ela seja entre 40 e 60% mais transmissível do que a Alfa, tanto que acabou provocando surtos onde está já era predominante, como o Reino Unido, o que motivou alertas do governo britânico. Um possível risco maior de hospitalizações está em investigação, mas ainda não foi confirmado.

Fonte: Veja Saúde